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29/12/2014 - Brasil: Após demissões, siderúrgicas de Divinópolis tentam superar crise

A indústria do ferro-gusa em Divinópolis atravessa um período de crise. Só em 2014, quatro siderúrgicas paralisaram as atividades na cidade. Os empresários alegam falta de incentivo fiscal e queda no número de pedidos por causa da crise econômica mundial. Fatores que, segundo eles, forçam a redução da produção e a demissão de trabalhadores.
Em 2008, quando teve início uma crise econômica mundial que mudou os rumos de muitos negócios, as siderúrgicas de Divinópolis operavam com 100% da capacidade e empregavam 3.370 trabalhadores diretos. Desde então, houve redução drástica. Hoje, são cerca de 670. Os números são do Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer-MG).
Uma das empresas que fecharam as portas na cidade é a siderúrgica Álamo, que demitiu 150 funcionários no início de novembro. Poucos meses antes, em junho, a Ferdil anunciou seu fechamento e a demissão de 100 operários. Em fevereiro, a São Luiz interrompeu a produção e demitiu 115 trabalhadores. Outra siderúrgica que parou de funcionar na cidade foi a Minnettel. Em novembro de 2013, 100 colaboradores foram liberados.
Representante do Sindicato dos Metalúrgicos de Divinópolis no que se refere à produção de ferro-gusa, Ronan Júnior, contou que uma empresa deixou a cidade e o local será transformado em um empreendimento imobiliário. “Um condomínio fechado será construído no terreno. A estrutura da siderúrgica está sendo realocada para o Mato Grosso do Sul, porque lá tem mais incentivos fiscais do que em Minas Gerais”, contou.

Cenário

Atualmente, 11 siderúrgicas estão instalados no município. Ao todo, são 15 fornos em funcionamento. O total da capacidade de produção nominal instalada é de 26 mil toneladas por mês.
De acordo com o presidente do Sindifer-MG, Fausto Varela Cançado, as recentes paralisações não são definitivas. “São interrupções. Ou seja, a maioria das plantas fica em \"stand by\", podendo retornar a produção caso melhore o quadro econômico”, explicou.
Fausto Varela disse ainda que a crise externa fez com que países compradores do ferro-gusa produzido em Minas Gerais cancelassem muitos pedidos. “No mercado interno, essa queda foi um pouco menor e hoje se mantém em um nível abaixo do que o que mantinha em 2008. Mas, também ainda em níveis melhores que os da exportação. A venda para o exterior representa cerca de 25% da produção, diminuída em virtude da crise geral. Isso fez com que muitas empresas paralisassem parcialmente ou totalmente suas atividades”, explicou.
Outra preocupação é o nível de importação de aço. O Brasil não importa ferro-gusa, mas a importação do produto processado afeta a produção da matéria-prima. “Os chineses consomem o minério que produzimos. O ferro-gusa produzido no Brasil e vendido para a China é lá transformado em metal e volta ao mercado brasileiro em forma de um produto final mais barato que os fabricados em território nacional”, comparou.

Remediação

Aos poucos, a indústria esboça reação. O mercado externo, segundo o presidente do sindicato mineiro, dá sinais de melhora. “Principalmente nos Estados Unidos, o maior comprador de ferro-gusa do Brasil. A dificuldade que temos para recuperar o volume das exportações é que o Brasil tem pouca competitividade no mercado externo, fruto do processo de administração do câmbio”, avaliou.
A diferença dos custos de produção entre o Brasil e outros países, o chamado Custo Brasil, torna os produtos nacionais menos competitivos nos mercados.
Para o presidente do Sindifer-MG, diminuir esta diferença é fundamental para aumentar a competitividade e incentivar a atividade industrial no país. “Uma esperança que temos é o ‘Reintegra’, que foi regulamentado pelo governo federal. Trata-se de um incentivo fiscal por meio do qual o governo devolve ao empresário 3% do valor que ele exportar. A gente percebe o esforço do governo em melhorar o quadro, mas sabemos que é pouco se comparado a países como a China, onde o produtor recebe de volta de 12% a 15% do valor exportado\", finalizou.

Fonte: G1
Publicada em 2014-12-07

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Fonte: UOL Economia

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